Comunicação Interpessoal nas Organizações: como melhorar o processo.

A boa comunicação é essencial para a eficácia de qualquer organização ou grupo.

Pesquisas indicam que as falhas de comunicação são as fontes mais frequentemente citadas de conflitos interpessoais.

Uma das principais forças que podem impedir o bom desempenho de um grupo é a falta de comunicação eficaz. Ela precisa ser compreendida. Portanto, a comunicação precisa incluir a transferência e a compreensão de mensagem.

Há quatro funções básicas da comunicação dentro de uma organização ou grupo:

Controle;
Motivação;
Informação;
Expressão Emocional.

Nenhuma dessas funções deve ser entendida como mais importante do que as demais.

Todas essas funções são de extrema importância e precisam ser utilizadas para o bom desempenho dos grupos.

Os problemas de comunicação ocorrem quando há falhas no processo ou fluxo. E, esses processos ou fluxos de comunicação são os passos entre uma fonte e um receptor, que resultam na transferência e compreensão de um significado. Os elementos formadores do processo são:

Fonte – início da mensagem;
Mensagem – o que é comunicado;
Decodificação – tradução da mensagem enviada pelo emissor;
Canal – mídia através da qual a mensagem viaja;
Círculo de feedback – verificação do sucesso na transmissão de uma mensagem, é o elo final do processo.

Existem também várias barreiras interpessoais e intrapessoais que ajudam a entender por que uma mensagem que é decodificada pelo receptor acaba sendo diferente da que o emissor pretendia comunicar.

São essas as barreiras:

Filtragem – manipulação da informação pelo emissor, para que ela seja vista de maneira mais favorável pelo receptor;

Percepção seletiva – o receptor no processo de comunicação vê e escuta seletivamente, com base em suas próprias necessidades, motivações, experiências, histórico e outras características pessoais;

Sobrecarga de informações – quando as informações excedem a capacidade de processamento;

Defesa – quando o receptor sente-se ameaçado, a tendência é uma reação para reduzir a capacidade de entendimento mútuo;

Linguagem – as palavras têm significados diferentes para pessoas diferentes;

Jargão – terminologia especializada ou linguagem técnica que membros de um grupo utilizam para ajudar na comunicação entre si.

Outro grande obstáculo à comunicação eficaz é que algumas pessoas sofrem de um debilitante medo da comunicação. Esse medo da comunicação é a tensão ou ansiedade em relação à comunicação oral ou escrita, sem motivo aparente. O emissor deve estar consciente que, em uma organização ou grupo, pode ter pessoas que sofram desse medo da comunicação.

Dentro dos fundamentos da comunicação, pode-se examinar os padrões de fluxo da comunicação, comparar as redes formal e informal de comunicação e também observar a importância da comunicação não-verbal. A direção da comunicação pode fluir de forma vertical ou horizontal.

A dimensão vertical pode ser dividida em direção ascendente e descendente:

Ascendente – é a que se dirige aos escalões mais altos do grupo ou da organização, mantém os dirigentes informados sobre como os funcionários se sentem em relação ao seu trabalho, seus colegas e à organização em geral, também utilizada pelos administradores para a obtenção de idéias sobre como as coisas podem ser melhoradas;

Descendente – comunicação que flui dentro de um grupo ou organização dos níveis mais altos para os mais baixos.

A dimensão horizontal ou lateral ocorre quando a comunicação se dá entre os membros de um mesmo grupo, grupos do mesmo nível ou entre quaisquer pessoas de horizontalidade equivalente, e é utilizada também na economia de tempo.

As redes de comunicação podem ser formais e informais e, essas redes são os canais pelos quais a informação flui. As redes formais são assim consideradas quando a comunicação está relacionada com o trabalho, que segue a cadeia de autoridade, já as redes informais são as redes de rumores, isto é, ela não é controlada pela empresa, é percebida pela maioria dos funcionários como mais confiável e fidedigna do que os comunicados formais vindos da cúpula da organização e é largamente utilizada para servir aos interesses próprios daqueles que fazem parte dela.

Esses rumores têm pelo menos quatro propósitos: estruturar e reduzir a ansiedade, tentar dar sentido a informações limitadas ou fragmentadas, servir de veículo para organizar os membros do grupo e, possivelmente, as pessoas de fora, em colisões.

A comunicação não-verbal inclui a linguagem corporal e paralingüística.

A linguagem corporal, expressa por meio de movimentos do corpo e expressões faciais, é parte significativa de qualquer comunicação face a face. As duas mensagens mais importantes enviadas pela linguagem corporal são quando uma pessoa gosta da outra e até que ponto está interessada em seus pontos de vista, e o status relativo percebido entre emissor e receptor. Já a paralingüística descreve os aspectos não-verbais da comunicação, que englobam o tom da voz, o ritmo da fala, as pontuações e outras características que vão além das palavras faladas. A paralingüística explica que, as pessoas extraem o significado tanto das palavras como da forma com que elas são expressas.

A escolha de um canal de comunicação depende de as mensagens serem rotineiras ou não rotineiras. As primeiras costumam ser diretas e apresentar um mínimo de ambiguidade, já as últimas tendem a ser mais complicadas e podem levar a erro de entendimento.

A riqueza do canal de comunicação está ligado a quantidade de informação que pode ser transmitida durante um episódio de comunicação.

Os meios de informações mais usados em uma organização são a conversa face a face, o telefone, e-mails, memorandos, cartas, folhetos, boletins e relatórios em geral.

Precisa-se tomar cuidado com os sentimentos das pessoas. Certas palavras expressam estereótipos, intimidam e ofendem as pessoas. É necessário prestar atenção nas palavras e gestos que podem ser ofensivos.


As palavras são o meio primário pelo qual as pessoas se comunicam. Quando eliminadas as palavras que podem ser consideradas ofensivas, estarão sendo reduzidas as opções para a transmissão de mensagens do jeito mais claro e acurado possível. De maneira geral, quanto maior o vocabulário utilizado pelo emissor e pelo receptor, maior a probabilidade de transmissão precisa das mensagens.

A comunicação eficaz é difícil mesmo sob condições ideais. Os fatores multiculturais certamente têm o potencial de aumentar os problemas de comunicação. Um gesto corriqueiro em uma cultura pode tornar-se sem sentido ou até mesmo ofensivo em outra. Há quatro problemas específicos relacionados com as dificuldades de linguagem na comunicação multicultural, que também são conhecidos como barreiras culturais.

Primeiro, existem as barreiras semânticas: as palavras significam coisas diferentes para pessoas diferentes. Isso é particularmente verdadeiro para pessoas de culturas diferentes. Há até palavras que simplesmente não podem ser traduzidas para outros idiomas, o que dificulta muito a comunicação.

Segundo, existem as barreiras causadas pelas conotações. As palavras têm implicações diversas em diferentes linguagens.

Terceiro, existem as barreiras causadas pelas diferenças de entonação. Em algumas culturas, a linguagem é formal e em outras, informal. Às vezes a entonação depende do contexto: as pessoas falam de maneira diferente quando estão em casa, numa festa ou no trabalho.

Quarto, existem as barreiras causadas pelas diferenças de percepção. Pessoas que falam idiomas diferentes na verdade vêem o mundo de formas diferentes.

A melhor compreensão dessas barreiras culturais e suas implicações para a comunicação multicultural pode ser obtida através dos conceitos de culturas de alto e baixo contexto.

As culturas diferem quanto à influencia do contexto sobre o significado daquilo que é dito ou escrito. A comunicação nas culturas de alto contexto exige consideravelmente mais confiança mútua entre os interlocutores.

Culturas de alto contexto são as que utilizam amplamente indícios não-verbais e sinais situacionais sutis em seu processo de comunicação. Nas culturas de baixo contexto, em comparação, os acordos são feitos por escrito, com escolha precisa dos termos e com ênfase em seus aspectos legais. Essas culturas também valorizam a comunicação direta. As culturas de baixo contexto são culturas que utilizam essencialmente a palavra para transmitir significados em sua comunicação.

Quando houver comunicação entre pessoas de diferentes culturas, há quatro regras que devem ser seguidas, regras essas que podem ajudar tanto o emissor quanto o receptor.

Primeira regra: assuma que há diferenças até que a similaridade seja comprovada;

Segunda regra: procure se ater ao discurso em termos descritivos, em vez da interpretação ou avaliação;

Terceira regra: busque a empatia;

Quarta regra: trate suas interpretações como uma hipótese de trabalho.

Há diversas maneiras de comunicação, e isso deve-se ao fato do avanço tecnológico.

No início do século XX, o telefone reduziu radicalmente a comunicação pessoal face a face. A popularização das copiadoras, no final da década de 60, foi o tiro de misericórdia no papel-carbono, tornando a reprodução de documentos muito mais rápida e simples. Desde o começo da década de 80, novas tecnologias eletrônicas estão surgindo, que vêm remodelando amplamente a forma da comunicação mas organizações.

Essas tecnologias incluem aparelhos como pagers, fax, telefones celulares e serviços como correio eletrônico, videoconferência e correio de voz.

As comunicações eletrônicas revolucionaram a facilidade de acessar outras pessoas e de encontrá-las quase instantaneamente. Infelizmente, essa acessibilidade e velocidade tem seu preço. Através da comunicação eletrônica não podem ser transmitidas as emoções e nuances que acompanham as entonações verbais de uma conversa telefônica ou face a face, por exemplo.

Há oito dicas que podem melhorar as habilidades de comunicação entre as pessoas.

1. Use múltiplos canais – isso pode proporcionar um aumento na probabilidade de clareza;

2. Adapte a mensagem ao seu público – pessoas diferentes dentro da organização têm necessidades diferentes de informações;

3. Procure ter empatia com os outros – coloque-se no lugar do receptor;

4. Lembre-se do valor da comunicação face a face quando estiver enfrentando mudanças;

5. Pratique a escuta ativa – a maioria das pessoas acredita na excelência de suas habilidades como ouvintes;

6. Tenha coerência entre suas palavras e suas ações – ações falam mais alto que as palavras;

7. Utilize a rede de rumores;

8. Utilize o feedback – a comunicação eficaz é um processo bilateral entre emissor e receptor.

As comunicações são o centro gravitacional de todas as atividades humanas.

Literalmente nada acontece sem que haja prévia comunicação. Um grande número de problemas pode ser ligado à falta de comunicação – saber qual é o problema já é ter meia solução.

Comunicar bem não é só transmitir ou só receber bem. Comunicação é troca de entendimento, e ninguém entende ninguém sem considerar além das palavras, as emoções e a situação em que fazemos a tentativa de tornar comuns conhecimentos, idéias, instruções ou qualquer outra mensagem, seja ela verbal, escrita ou corporal.


Por: Ana Luisa Pisa Marini

Administradora, pós-graduanda em Gestão Estratégica de Negócios e professora de cursos de Administração na UnC – Universidade do Contestado em Caçador, Santa Catarina.

A Arte de Dominar Idéias

Por Reinaldo Passadori - Presidente do Instituto Passadori e especialista em comunicação.


Problemas na comunicação podem gerar um monstro, que precisa ser domado a qualquer custo, para o pleno sucesso de colaboradores e organizações.

Vendas perdidas, negociações mal sucedidas, treinamentos ineficientes, discursos sonolentos e mal elaborados, desperdiçando o tempo das pessoas, discussões, boicotes, brigas e desentendimentos entre as pessoas de um modo geral, quer seja em relações profissionais, familiares ou sociais.

O mundo como um todo seria muito melhor se as pessoas conseguissem se comunicar melhor. Sem perceber, muitos dos problemas comuns que ocorrem nas relações interpessoais acontecem justamente por problemas de comunicação. Antes de falar sobre esses problemas, quero propor uma reflexão sobre uma premissa básica no processo da comunicação: a comunicação não é o que eu falo; é aquilo que chega.

Somos, por excelência, exímios interpretadores de tudo o que acontece. Faz parte da natureza humana, tanto que avaliamos, ponderamos, julgamos, comparamos com a nossa escala de valores tudo o que percebemos, vemos e ouvimos. Gostamos ou não gostamos, achamos simpático ou antipático, consideramos agradável ou desagradável, interessante ou indiferente. Fazemos isso o tempo todo. Por essa razão, se desejamos de fato nos comunicar com outras pessoas precisamos, constantemente, exercitar a arte da empatia, que é a capacidade de nos colocar no lugar da outra pessoa, entender o seu estado de espírito, seu momento psicológico, seu nível cultural, suas crenças, seus apelos emocionais.

Além disso, precisamos resolver os nossos problemas de comunicação e, posso afirmar com segurança, que são muitos.

Apresentarei de maneira resumida os problemas mais comuns que coletamos ao longo de 15 anos ajudando as pessoas a resolverem as suas dificuldades de comunicação e a proposta é gerar um questionamento para que você possa fazer uma auto-análise e ao identificar-se com alguns desses problemas, possa procurar algum tipo de solução, pois se existirem poderão impedir uma melhor desenvoltura no cenário pessoal e profissional.

Para facilitar a auto-análise, apresentaremos esses problemas subdivididos em três blocos distintos, a saber:

1 - Psicológicos;
2 - Físicos;
3 - Técnicos.

1 - Psicológicos

- Medo

Medo de tudo, de ser mal sucedido, de errar, de não ser compreendido, de falhar, de não conseguir dar o recado, de denegrir a sua própria imagem, de dar a dor de barriga que você teve há 10 anos, enfim muitos medos. Se analisarmos bem, na verdade, não vamos encontrar muitas razões para esses medos, pois na maioria são imaginários e não reais. O principal medo, no entanto, que pode ser uma síntese de todos esses, é o "Medo de falar em público".

- Excesso de preocupação

Algumas pessoas são preocupadas demais. Existe um lado positivo na preocupação relacionado à preparação, ao planejamento, à organização do que iremos realizar. Só que temos uma voz interior e se não a soubermos controlar, nos perdemos. Essa voz começa a perguntar assim: E se eu falhar? E se perguntarem algo que eu não sei? E se entrar o diretor enquanto eu estiver falando? O interessante é que as respostas a essas perguntas tendem a ser negativas, gerando um pessimismo e neutralizando as forças de energia positiva e de entusiasmo, minando as resistências da pessoa, gerando uma grande possibilidade de fracasso.

- Baixa auto-estima

Há um pensamento muito famoso, atribuído a Henri Ford, que diz: "Se você acha que pode ou se acha que não pode, em ambos os casos você está certo". Em outras palavras, se você acredita no sucesso do seu esforço ou se acredita no insucesso, em ambos os casos você também está certo. Podemos optar em sermos otimistas ou em sermos pessimistas e até essa atitude diante da vida ou das situações pode ser treinada e desenvolvida. A natureza, na sua complexidade e, ao mesmo tempo simplicidade nos dá uma grande lição quando nos mostra que colhemos aquilo que plantamos, ou seja, um pessimista irá falar mal de si mesmo, denegrindo a sua própria imagem, evidenciando a sua impotência e a sua incapacidade. É óbvio que colherá dó e pena das pessoas. Por outro lado, uma pessoa de bem com a vida e consigo mesma, entusiasta e otimista, irá irradiar uma energia positiva e atrairá para si aquilo que plantou, ou seja, estímulos positivos, energia boa, pessoas que funcionam nessa mesma faixa de freqüência.



2 - Físicos

- Voz fraca

Volume baixo, onde a voz é quase inaudível.

- Linearidade

A fala mantém um tom monocórdio, gerando sonolência e desatenção das pessoas.

- Dicção ruim

Dificuldade de pronúncia, onde os sons não são claros e a compreensão fica prejudicada.

- Velocidade excessiva

A pessoa atropela as palavras, além de dificultar o entendimento das idéias.

- Velocidade lenta

Talvez pior ainda do que a velocidade acelerada. Ficamos impacientes, querendo ajudar a pessoa que está falando, também gerando desinteresse.

- Ausência de teatralização

Ou seja, a pessoa que fala nada expressa além do conteúdo e sabemos que tão ou mais importante do que o conteúdo é a forma de falar. Um bom exemplo disso é a pessoa falando algo alegre com uma voz triste ou melancólica.

- Nasalação

Onde os sons são excessivamente anasalados, tornando feia a fala.

- Ausência de pausas

As pausas servem para facilitar a compreensão do ouvinte, dar beleza estética e também para que o apresentador possa melhor concatenar as suas idéias. A ausência de pausas torna a fala inadequada e distrai a atenção dos ouvintes.

- Ausência de gestos

Algumas pessoas colocam as mãos atrás ou na frente do corpo ou ainda na cintura (tipo açucareiro), cruzam os braços ou enfiam as mãos nos bolsos e não fazem gestos. Uma gesticulação adequada reforça o conteúdo da fala.

- Postura inadequada

Pensando na posição dos pés, podemos fazer uma analogia com o relógio. Existe a posição "quinze para o meio dia", "meio dia e quinze" e "dez para as duas". São inadequadas, desviam a atenção dos ouvintes e geram certa deselegância.

- Olhar perdido

Há aqueles que olham para cima ou para baixo ou apenas para algumas pessoas. O ideal é que se olhe nos olhos das pessoas, envolvendo-as plenamente.

- Aparência deselegante

Um toque de classe, de sensibilidade, de bom senso e de bom gosto nunca é demais. Só que algumas pessoas exageram no contrário, ou seja, são relaxadas mesmo, desde uma roupa suja ou um sapato sem graxa e malcuidado até desleixo em detalhes de asseio e aparência corporal.



3 - Técnicos

- Desorganização de idéias

Toda apresentação deve ter uma estrutura, ou seja, um objetivo, um começo, um meio e um fim. Há pessoas que começam pelo meio, terminam pelo começo e desenvolvem aquilo que deveriam deixar para o final. É necessário aprender e desenvolver apresentações estruturadas e organizadas.

- Vícios de linguagem

Ou seja, excesso de "nés", "tás", "certos", "percebes", "aaaa...", "eee...". A audiência fica contando quantos desses vícios ocorreram e deixa de prestar atenção no conteúdo da fala.

- Dificuldade de vocabulário

É até comum a pessoa querer dizer alguma coisa, ela tem a idéia na cabeça, mas não consegue encontrar rapidamente a palavra para externar esse pensamento.

- Inadequação no uso de Recursos Audiovisuais

Transparências ou lâminas excessivamente carregadas, muitas informações de uma só vez, cores e contrastes de mau gosto, ilegibilidade, falta de clareza ou adequação em relação ao conteúdo.

Em síntese, essas são as dificuldades mais comuns que temos observado em sala de treinamento.

Além destas, inúmeros outros pequenos problemas, desde prolixidade, excessiva objetividade, postura arrogante ou prepotente ou, ao contrário, humilde demais.

O que julgo importante, ao fazer uma análise sobre os problemas de comunicação, é que a parte mais difícil é justamente a descoberta destes problemas, pois a solução é relativamente simples, dependendo apenas de destreza experimental e orientação adequada.

Descubra, portanto, quais são as suas dificuldades de comunicação, invista na sua solução e esteja certo de que sua vida será bem melhor.

A Cultura do Slow Down

A Cultura do Slow Down

Relato de um um funcionário brasileiro da Volvo na Suécia

“Há já 18 anos que ingressei na Volvo, empresa sueca bem conhecida.

Trabalhar com eles é uma convivência deveras interessante.

Qualquer projecto aqui demora dois anos a concretizar-se, mesmo que a idéia seja brilhante e simples.

É uma regra.

Os processos globalizados causam a nós (portugueses, brasileiros, argentinos, colombianos, peruanos, venezuelanos, mexicanos, australianos, asiáticos, etc.) uma ansiedade generalizada na busca de resultados imediatos.

Consequentemente, o nosso sentido de urgência não surte efeito dentro dos prazos lentos dos suecos.

Os suecos debatem, debatem, realizam “n” reuniões, ponderações, etc. E trabalham! com um esquema bem mais “slowdown”.

O melhor é constatar que, no fim, isto acaba por dar sempre resultados no tempo deles (suecos) já que conjugando a necessidade amadurecida com a tecnología apropiada, é muito pouco o que se perde aqui na Suécia.

Resumindo:

1. A Suécia é do tamanho do estado de São Paulo (Brasil).2. A Suécia tem apenas dois milhões de habitantes.3. A sua maior cidade, Estocolmo, tem apenas 500.000 habitantes (compare-se com Paris, Londres, Berlim, Madrid, mesmo Lisboa…; ou cidades balneares como Mar del Plata, Argentina, onde vivem permanentemente 1 milhão de pessoas, ou ainda a cidade de Rosário, Argentina, com três milhões).4. Empresas de capital sueco: Volvo, Skandia, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare , etc.

Nada mal, hein?

Para se ter uma ideia da sua importância basta mencionar que a Volvo fabrica os motores de propulsão para os foguetes da NASA.

Os suecos podem estar enganados, mas são eles que me pagam o salário. Devo referir que não conheço nenhum outro povo com uma cultura colectiva superior à dos suecos.

Vou contar uma pequena história, para ficarem com uma idéia:

A primeira vez que fui para a Suécia, em 1990, um dos meus colegas suecos apanhava-me no hotel todas as manhãs. Estavamos em Setembro, já com algum frio e neve. Chegavamos cedo à Volvo e ele estacionava o carro longe da porta de entrada (são 2000 empregados que vão de carro para a empresa).

No primeiro dia não fiz qualquer comentário, nem tão-pouco no segundo ou no terceiro. Num dos dias seguintes, já com um pouco mais de confiança, uma manhã perguntei-lhe: “Vocês têm aqui lugar fixo para estacionar? Chegamos sempre cedo e com o parque quase vazio estacionas o carro mesmo no seu extremo…E ele respondeu-me com simplicidade: “É que como chegamos cedo temos tempo para andar, e quem chega mais tarde, já vai entrar atrasado, portanto é melhor para ele encontrar um lugar mais perto da porta. Não te parece?”

Imaginem a minha cara!

Esta atitude foi a bastante para que eu revisse todos os meus conceitos anteriores.

Actualmente, há um grande movimento na Europa chamado “Slow Food”.

A “Slow Food International Association”, cujo símbolo é um caracol, tem a sua sede em Itália (o site na Internet é muito interessante. http://www.slowfood.com/).

O que o movimento Slow Food preconiza é que se deve comer e beber com calma, dar tempo para saborear os alimentos, desfrutar da sua preparação, em família, com amigos, sem pressa e com qualidade. A ideia é contraposição ao espírito do Fast Food e o que ele representa como estilo de vida. Verdadeiramente surpreendente, é que este movimento de Slow Food está a servir de base para um movimento mais amplo chamado “Slow Europe” como salientou a revista Business Week numa das suas últimas edições europeias.

Na base de tudo isto está o questionamento da “pressa” e da “loucura” geradas pela globalização, pelo desejo de “ter em quantidade” (nível de vida) em contraponto ao “ter em qualidade”, “Qualidade de vida” ou “Qualidade do ser”.

Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, ainda que trabalhem menos horas (35 horas por semana) são mais produtivos que os seus colegas americanos e ingleses. E os alemães, que em muitas empresas já implantaram a semana de 28,8 horas de trabalho, viram a sua produtividade aumentar uns apreciáveis 20%. A denominada “slow attitude” está a chamar a atenção dos próprios americanos, escravos do “fast” (rápido) e do “do it now!” (faça já!). Portanto, esta “actitude sem pressa” não significa fazer menos nem ter menor produtividade. Significa sim, trabalhar e fazer as coisas com “mais qualidade” e “mais produtividade”, com maior perfeição, com atenção aos detalhes e com menos stress. Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do prazer dum belo ócio e da vida em pequenas comunidades.

Do “aqui” presente e concreto, em contraposição ao “mundial” indefinido e anónimo.

Significa retomar os valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do quotidiano, da simplicidade de viver e conviver, e até da religião e da fé.

SIGNIFICA UM AMBIENTE DE TRABALHO MENOS COERCIVO, MAIS ALEGRE, MAIS LEVE, E PORTANTO MAIS PRODUTIVO, ONDE OS SERES HUMANOS REALIZAM, COM PRAZER, O QUE MELHOR SABEM FAZER.

É saudável reflectir sobre tudo isto. Será que os antigos provérbios: “Devagar se vai ao longe” e “A pressa é inimiga da perfeição” merecem novamente a nossa atenção nestes tempos de loucura desenfreada?

Não seria útil e desejável que as empresas da nossa comunidade, cidade, Estado ou país, começassem já a pensar em desenvolver programas sérios de “qualidade sem pressa” até para aumentarem a produtividade e a qualidade dos produtos e serviços sem necessariamente sem perder “qualidade do ser”?

No filme “Perfume de Mulher” há uma cena inesquecível na qual o cego (interpretado por Al Pacino) convida uma jovem para dançar e ela responde:

-“Não posso, o meu noivo deve estar a chegar”.

Ao que o cego responde:

-“Num momento, vive-se uma vida”

e leva-a a dançar um tango.

É o melhor momento do filme, esta cena que dura apenas dois ou três minutos.

Muitos vivem a correr atrás do tempo, mas só o alcançam quando morrem, quer seja de enfarto ou num acidente na auto-estrada por correrem para chegar a tempo.

Ou outros que, tão ansiosos para viverem o futuro, esquecem-se de viver o presente, que é o único tempo que realmente existe.

A diferença está no que cada um faz do seu tempo. Temos de saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon, “A vida é aquilo que acontece enquanto planejamos o futuro”.

Parabéns por teres conseguido ler essa mensagem até o fim. Decerto haverá muitos que leram só a metade para “não perder tempo” tão valioso neste mundo globalizado.

Engrenagem

"Seja qual for o departamento em uma organização, todo funcionário interage com processos e procedimentos existentes. E é obrigação de todo funcionário desafiar os princípios existentes e questionar: por que fazemos isto deste jeito? Mesmo nos cargos iniciantes, as pessoas interagem dentro de fluxos de trabalho existentes. Se há milhares de engrenagens que movem a máquina organizacional e cada engrenagem tem inúmeros dentes, então uma melhoria feita no menor dente que seja pode fazer uma enorme diferença."

Bob Worrall
CIO da Sun Microsystems, Inc.

LÍDERES TIRANOS

Você já parou para pensar que nos vários anos de estudo que temos, quase nunca fomos orientados a como nos relacionarmos com as outras pessoas?

Ao contrário, aos poucos vamos nos especializando em ver os outros como concorrentes e a criticar mais do que incentivar ou dar a mão.

Não é por acaso que muitos executivos chegam a posições de liderança sem saber como lidar com pessoas, ou pior, convencidos de que a tirania é a melhora maneira de obter resultados. Eles são especialistas em suas áreas, extremamente competentes e dedicados, mas nada ou quase nada sabem sobre como as pessoas se sentem ou reagem a suas atitudes e comportamentos.

O resultado é uma legião de pessoas desmotivadas e desorientadas, lideradas por visionários solitários que vivem reclamando da incapacidade dos seus liderados. Os famosos líderes tiranos.

O mais incrível é que a perseverança e a competência técnica desses executivos fazem com que muitos deles continuem a ter sucesso, apesar de sua incompetência interpessoal. Alguns chegam mesmo a ser tratados como verdadeiros heróis, e é comum ouvirmos expressões como:

"Fulano é brilhante mas trata as pessoas como animais";

"Ele é um líder carismático, mas é um verdadeiro tirano."

Gostaria de aproveitar esse artigo para afirmar uma posição da qual tenho cada vez mais convicção.

Tratar bem as pessoas, respeitá-las e reconhecê-las, tem apenas efeitos positivos no sucesso de um executivo. A tirania, por outro lado, também é capaz de gerar resultados positivos, porém imediatistas, mas traz com ela um custo que será cobrado mais cedo ou mais tarde.

Quem, tirando os casos especiais, gosta de ser maltratado?

Acredito que ninguém.

Sendo maltratado e desrespeitado, o liderado trabalha insatisfeito e faz com que um grão de areia se transforme em uma montanha, agindo sempre que possível de modo a atrapalhar o bom andamento de um projeto, tão somente com a intenção de atrapalhar a vida do líder tirano.

Já vi casos assim muito de perto.

Um belo exemplo é o caso onde um líder vivia jogando piadas de mal gosto para os seus liderados, talvez por necessidade de auto-afirmação, talvez por não ter conhecimento sobre ética ou inteligência emocional. Embora o resultado do projeto tenha sido satisfatório, certamente este resultado terá um custo, digo novamente, que será cobrado mais cedo ou mais tarde.

Se você já está começando a acreditar que os tiranos são mais bem sucedidos do que os líderes que respeitam as pessoas, pare um pouco e reveja sua posição.

Acredite; os tiranos que conseguem bons resultados teriam muito mais sucesso se respeitassem mais seus colegas e liderados.

Ser gerente é uma posição, ser líder é uma atitude.

Ser gerente é uma posição, ser líder é uma atitude.

A palavra gerente pode constar no seu currículo, mas a liderança aparece na mente dos liderados quando decidem seguir o líder.

O gerente atua das 9 às 17 horas, o líder atua as 24 horas.

Os gerentes dirigem no trabalho, os líderes fazem isso na vida.

Só há um caminho para liderar que é através do exemplo.

Sempre existe alguém nos observando.

A FÁBULA DO ALTO EXECUTIVO

Esta foi uma das minhas primeiras postagens aqui no blog e achei que valeria a pena postá-la novamente. Hoje, mais maduro, e vivendo uma nova etapa em minha vida, tendo a oportunidade de trabalhar em uma empresa espetacular, com profissionais de primeira categoria, vejo a veracidade desta fábula...

*********** A FÁBULA DO ALTO EXECUTIVO ***********

Esta é a fábula de um alto executivo que, estressado foi a psiquiátra.

Relatou ao médico o seu caso. O psiquiátra, experiente, logo diagnosticou:

- O Senhor precisa se afastar por duas semanas da sua atividade profissional. O conveniente é que vá para o interior, se isole do dia-a-dia e busque algumas atividades que o relaxem.

Então o nosso executivo procurou seguir as orientações... Munido de vários livros, cds e laptop, mas sem o celular, partiu para a fazenda de um amigo.

Passados os dois primeiros dias, o nosso executivo já havia lido dois livros e ouvido quase todos os CDs.

Continuava inquieto.

Pensou então que alguma atividade física seria um bom antídoto para ansiedade que ainda o dominava.

Chamou o administrador da fazenda e pediu para fazer algo. O administrador ficou pensativo e viu uma montanha de esterco que havia acabado de chegar.

Disse ao nosso executivo:

- O senhor pode ir espalhando aquele esterco em toda aquela área que será preparada para o cultivo.

O administrador pensou consigo:

"Ele deverá gastar uma semana com essa tarefa".

Ledo engano.

No dia seguinte o nosso executivo já tinha distribuído o esterco por toda área.

O administrador então lhe deu a seguinte tarefa, abater 500 galinhas com uma faca.

Essa foi fácil... em menos de três horas já estavam todas prontas para serem depenadas.

Pediu logo uma nova tarefa.

O administrador então lhe disse:

- Estamos iniciando a colheita de laranjas. O Senhor vá ao laranjal levando três cestos para distribuir as laranjas por tamanho. Pequenas, médias e grandes.

No fim daquele primeiro dia o nosso executivo não retornou. Preocupado, o administrador se dirigiu ao laranjal. Viu o nosso executivo com uma laranja nas mãos, os cestos completamente vazios, falando sozinho:

- Esta é grande.

- Não, é média, ou será pequena?

- Esta é pequena.

- Não, é grande, ou será média?

- Esta é média.

- Não, é pequena, ou será grande?


MORAL DA HISTÓRIA:

Espalhar merda e cortar cabeças é fácil. O difícil é tomar decisões de forma acertada.